domingo, 28 de março de 2010

THE SUNDAY TIME 28.02.10



Katie – No dia que eu fui atacada pensei que fosse morrer. A dor era terrível – o acido foi bem mais profundo que pôde na minha face, pescoço e mão, assim que atingia os extremos dos nervos a dor ia diminuindo. Quando a ambulância chegou os enfermeiros me puseram numa dessas bolsas de defuntos, eu francamente pensei que fosse. Tudo que eu podia dizer era: “Graças a Deus já acabou. Não acontecerá de novo.”

Tinha 24 anos quando tudo aconteceu, trabalhava em Londres como modelo e apresentadora de TV. As pessoas me diziam que eu era bonita. Era convicta, sociável e alegre. Pode-se até dizer que eu era obcecada por minha aparência, necessariamente não mais bonita que as demais, mas estagiava como maquiadora, era boa em arrumar meu cabelo e maquiar-me, gastava um bom tempo nisso. Quando eu tia 22 anos eu estive no ‘pingente da beleza’ uma competição regional para a Miss Inglaterra. Foi um baita de um choque em saber que parte de minha vida terminou.

O conheci na internet e fiquei o admirando por duas semanas. Fomos para um hotel depois de uma noitada. Ele começou um ataque sexual e ameaçou destruir minha cara. Tentei terminar com ele. Um dia depois um estranho jogou acido na minha cara do lado de fora do meu apartamento. Soube depois quer fora o responsável. Esse ex pensou que se destruísse minha aparência, me destruiria por completo.

Assim que cheguei ao hospital, fiquei em coma induzido por semanas, não podia enxergar, mas podia escutar vozes ao longo, pensei que estivesse no céu. Assim que voltou a visão em apenas um olho, turvamente vi uma figura de azul e grisalho: Pai! Escutei sua voz e da mamãe “Se eles estão aqui, quer dizer que estou viva!”

Ainda no hospital não pude entender a magnitude do que houvera acontecido. Minha mão estava com curativos. Pensei que não mais a tivesse. E pensei comigo mesmo: “Nunca serei capaz de vestir-me apenas com uma mão!”. Estava no hospital por já dois meses, e isso não era uma realidade aceitável, tinha que vestir uma roupa especial para que me banhassem. Não era a vida de adulto que eu tinha. Papai era muito optimista, porém eu nunca houvera visto tão apavorado assim. Ele era o responsável em autorizar e assinar a folha de permissão para a remoção do meu rosto, não foi uma decisão fácil, mas ele fez o certo.

Meus pais estavam comigo dia e noite, puseram um colchonete e dormiam conversando comigo, e raramente comiam. Eles alternavam os horários de banho, e eu nunca ficava só. Pausaram suas vidas, desistiram do trabalho, se afastaram dos amigos. Saber que houve alguém que pôde fazer uma coisa dessas com o seu próprio filho é doloroso. Imagino que devem está ainda zangados por isso, porem não comentam, tentamos ser positivos.

Somos uma família muito unida, mamãe e papai têm um maravilhoso relacionamento, se o não, isso nos desimpulsonaria. Me davam força quando eu não queria seguir. Papai e eu tínhamos o mesmo senso de humor, riamos de nossas piadas sem graça.

Quando éramos criança, papai era muito participativo, sempre brincando, ele construiu uma gruta num toco de arvore velho para mim, meu irmão Paul e minha Suzy, comiamos espaguete lá. Nas férias ele nos enterrava na areia e desenhava uma calda de sereia, ele é muito afetivo, nos abraça e diz que nos ama. Uma vez no bar ele disse pra todo mundo: Katie conheceu Philip Schofield outro dia. “Eu pensei: Deus, Cruz-credo!”

Depois do acontecido precisava dos meus pais todo o tempo, me sentia como uma criança. Eu tinha fobia de água quente, não podia me banhar e mamãe lavava meu cabelo e corpo. Eles me ajudavam com a fisioterapia, eu me dependurava na beira da cama e eles me massageavam no pescoço, no músculo. Tinham que fazer compressas, quatro vezes ao dia, agora é apenas uma vez ao dia. Ainda tinha que usar uma mascara que no principio era muito desconfortável, era como se alguém pusesse suas mãos por entre meu rosto e empurrando. Era amarrado bem fortemente na minha cabeça, tão apertado que deixava meus dentes moles. Houve vezes que eu jogava minhas frustrações nos meus pais; mas é para isso que as famílias são. Assim que minha dependência se foi, eu voltara a ser a típica criança ingrata que dizia: “Eu não isso, aquilo!”

Minha vida era diferente agora, foi terrivelmente assustador, jamais poderia desfilar outra vez. Mas, a pior coisa foi perder minha normalidade. Ainda não podia engolir devidamente, adoecia a cada dia, mais ainda amedrontada. Não sou mais a pessoa que nasci pra ser, jamais saberei como seria minha cara aos 30, 40 ou 50. Tinha um nariz arrebitado, olhos azuis; sempre me perguntei: “Com o passar dos anos, como eu vou mudar?” Isso foi roubado de mim.

A pior de todas as coisas é que não mais pareço com minha família, muitos diziam que eu parecia com meu pai ou minha irmã. Mudei. Se eu tiver uma filha será doloroso, saber que ela se parece comigo, com o que eu deveria ser.

Jamais disse que isso tudo tem sido um pesadelo, há ainda partes boas, pois eu estou aqui para contar a estória. Sou sortuda, montei um centro de caridade chamado Fundação Katie Piper para ajudar outras víctimas de queimaduras a superar isso, para aconselhar-las e ajudá-las financeiramente.

O melhor conselho que meu pai me deu foi seja positiva, prossiga e faça o melhor, e é esta maneira que escolhi pra viver. Ser bonita já não mais significa tudo pra mim.

Artigo retirado do jornal ‘The Sunday Times’ 28, Fev, 2010

Entrevista por: Sophie Haydock

Tradução por: Whermane Mendonça


- A parte em que quero tocar é sobre a imparcialidade de aspectos tomados numa sociedade sobre ‘influências’, eu falo sobre padrões, estilos e aceitações de modas externas que por momentaneidade vêm. Quero intuir essas coisas de que: E se antes, nos primórdios dos tempos resolvessem andar nus? Que a roupa fosse convenientemente algo banal? Ou se acessórios para o corpo ou ‘tatoos’ fosse algo mais trivial que o nosso próprio cabelo? O que quero entoar é que opções de sociedades passadas, de costumes simples e normais são o que somos hoje, nossos costumes nos dizem quem somos, porém, que seria algo mais sobre cultura que coisa de pessoas não-ocupadas fazem. Katie assim como a qualquer um de nós é estreitamente treinada para não aceitar isso, é algo de nossa natureza.

Porém, é também de nossa natureza sermos mais superiores que outros pelo o que aparentam, pelo o têm dentro de seus bolsos, por nossa natureza seriamos mais belos, com dinheiro, com posses e menos feios, com divisões bem mais estreitas por sobre classes sociais. A lição que quero passar é que essa beleza que hoje Katie descobriu é algo que havia escondido dentro de si por anos, coisa que não fazia necessidade de expô-la, a vida reinventada de agora é o preconceito que existia antes, o sentimento ofuscado de antes é agora o mais bonito e puro que ela pode sentir.

E assim é, feios, bonitos, somos iguais, com o mesmo sangue correndo nas veias, com o mesmo destino assim que mortos, com a mesma dor se algo nos ferir. Seja belo, seja lindo, pense apenas positivo. –


Por Whermane Mendonça.

Você não está só

Ficaremos juntos,

Estarei ao seu lado

Sabes que eu segurarei sua mão

Quando estiver frio.

E quando parecer que é o fim

Não há nenhum lugar pra ir, não desistirei

Eu não desistirei.

Aguenta firme

Sabes que conseguiremos,

Conseguiremos.

Seja forte

Sabes que estou aqui por você, aqui por você

Não há nada que você possa dizer, nada que possa fazer

Não haverá outro jeito quando isso vier

Agüenta firme

Por que sabes que conseguiremos

De bem longe desejo que estivesse aqui

Antes seria tarde, isso poderia desaparecer

Antes as portas fechavam-se levando tudo ao fim

Mas com você ao meu lado eu brigaria, te defenderia

Escuta bem quando eu disse que

Eu acredito que nada vai mudar

Nada muda o destino

Ou o que é destinado pra ser

Sairá tudo perfeitamente bem...

[Alone – Avril Lavigne – the Best damn thing]