segunda-feira, 23 de abril de 2012

Eu vi!


Eu já vi o destino passar por mim, as brisas de outrora já não fornece o mesmo Outono que me fazia tão vivo, na verdade, nem faço ideia quantos outonos eu já vi, quantas folhas secas pude presenciar adornando o meu caminho, quantas flores perfumando e suavizando o amargo da vida. Ao certo, foram tantas cores, neutras e destacadas que vi.
Hoje, as mãos são tremulas, olhos lacrimejantes, pele levemente pintada pelo destino e enrugada pelos anos. Sinto que se acaba uma jornada que durou tanto, sinto que realmente vi o que tinha de ver e senti o que tinha destinado a mim para ser sentido. Eu noto que eu não sou mais sábio que ninguém, mas digo que meus anos são quem dirá a resposta, compreendo a magnitude de meus limites e os aceito.
Já não caminho bem, já não como nem bebo, ensaio as palavras para que não saiam baboseiras ou coisas inexistentes, a coordenação já não é perfeita, tampouco os tiros são certeiros.
Eu vi o destino passar, eu vi! Eu vi que as pessoas mudam, eu mudei. Vi um mundo se transformar e, eu ajudei. Vi Guerras, Pactos de Paz, vi absurdos e tolerâncias, eu pude transcender de um século a outro, e se olhar bem os cálculos isso acontece apenas para poucos.


Hummm, que bobo eu sou, um dia eu vi um velhinho que atravessava uma avenida, com dificuldade e lentidão, ele se preocupava em chegar ao outro lado como se vencera uma batalha, um prêmio por sua glória. E jamais me policiei em imaginar como eu seria mais tarde, se assim ou pior, se exatamente ou igual. Na verdade, eu jamais pude chegar a essa imagem do eu sou hoje, um velho que ao olhar dos milhares diriam: apenas um velho, com as marcas do tempo e do destino, com o peito cheio de vitórias e fatos, de memórias e traços, tão cheio de vida e ao mesmo tempo morrendo, pois falemos a verdade, tudo se acaba um dia, não? Consegui chegar até aqui, e jamais pude imaginar que por dentro ainda me comporto como um simplório de 17 anos e me orgulho do que sou: VELHO!

Por: Whermane Mendonça

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Entendendo


Talvez, se eu encontrasse o mínimo da sensatez ou a mediocridade do meu ser eu chegaria mais além, de certa forma comungaria glórias, ou experimentaria esse horizonte que jamais estive.

Quaisquer atos que eu pudesse tomar, ou adotasse, fingisse ou me empenhasse em fazer eu jamais teria sucesso, é o maldito contraste que tende em me dividir. Sempre, somente e intensamente, é assim que quero viver, entre as linhas do meu destino, cavalgando-as sem cair, e ao brincar aprender seus guetos e nuances, e se um fio quebrar eu atenuosamente lhe darei total auxilio, a fim de seguir.

O abstrato de tudo é poder apenas parcialmente sentir, sem tocar, sem presenciar, sem intuir, é a forma mais inerte que se modula, e que aprendemos a ignorar e não reivindicar. A tensão, a solidão, o medo, a carência, a utopia, a ilusão, o sonho, a glória, a sua própria alma. Há mais coisas abstratas que essas?


O intuito é preencher o destino com o hoje, deixando as lacunas para o amanhã e tentando ultrapassar os pontos de interrogação, esse intuito é simples por que é automático e inconsciente, ante do que já ouvimos e sempre resguardamos de que tudo já foi escrito e só devemos ‘inconscientemente’ seguir, é meio um vão sem ‘meio’, apenas paredes, projeteis inacabados postos em nossas mãos como um quebra-cabeça, e nem todos podem finalizar e ver a linda figura nele impressa.

Harmonicamente falando, harmonicamente seduzindo com palavras, atraindo com razões e intuindo com verdades, é falso dizer que nós construímos o mundo, mas apenas somos parte da construção daquilo que formou o proposito, somos as cobaias que jamais deixam seu aprendizado, e que dia a dia chega ao um ápice de glória e ‘fim do poço’. Somos o projeto que jamais terá uma conclusão, se apenas nos portamos como simplesmente uma parte dele.
A calma sempre é feita de pedaços de turbulências, ainda que prolongadas, mas que te deixa esperança, para que não sejamos fracos ou ímpios.

Por: Whermane Mendonça

terça-feira, 17 de abril de 2012

A vida me ensinsou...



A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.
Charles Chaplin