
Hoje, as mãos são tremulas,
olhos lacrimejantes, pele levemente pintada pelo destino e enrugada pelos anos.
Sinto que se acaba uma jornada que durou tanto, sinto que realmente vi o que
tinha de ver e senti o que tinha destinado a mim para ser sentido. Eu noto que
eu não sou mais sábio que ninguém, mas digo que meus anos são quem dirá a
resposta, compreendo a magnitude de meus limites e os aceito.
Já não caminho bem,
já não como nem bebo, ensaio as palavras para que não saiam baboseiras ou
coisas inexistentes, a coordenação já não é perfeita, tampouco os tiros são
certeiros.
Eu vi o destino
passar, eu vi! Eu vi que as pessoas mudam, eu mudei. Vi um mundo se transformar
e, eu ajudei. Vi Guerras, Pactos de Paz, vi absurdos e tolerâncias, eu pude
transcender de um século a outro, e se olhar bem os cálculos isso acontece
apenas para poucos.
Hummm, que bobo eu
sou, um dia eu vi um velhinho que atravessava uma avenida, com dificuldade e
lentidão, ele se preocupava em chegar ao outro lado como se vencera uma
batalha, um prêmio por sua glória. E jamais me policiei em imaginar como eu
seria mais tarde, se assim ou pior, se exatamente ou igual. Na verdade, eu
jamais pude chegar a essa imagem do eu sou hoje, um velho que ao olhar dos
milhares diriam: apenas um velho, com
as marcas do tempo e do destino, com o peito cheio de vitórias e fatos, de
memórias e traços, tão cheio de vida e ao mesmo tempo morrendo, pois falemos a
verdade, tudo se acaba um dia, não? Consegui chegar até aqui, e jamais pude
imaginar que por dentro ainda me comporto como um simplório de 17 anos e me
orgulho do que sou: VELHO!
Por: Whermane Mendonça
Por: Whermane Mendonça
2 comentários:
Não conhecia esse seu lado.
Estou passado, mimino!
Muitissimo obg, quem quer que seja. Pois, as pessoas nos surpreendem.
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